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Brasília, DF, Brazil
Cláudia Falluh Balduino Ferreira é doutora em teoria literária e professora de literatura francesa e magrebina de expressão francesa na Universidade de Brasília. Sua pesquisa sobre a literatura árabe comunga com as fontes do sagrado, da arte, da história e da fenomenologia em busca do sentido e do conhecimento do humano.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Assia Djebar

Nossa escritora do momento, a premiadíssima argelina Assia Djebar.




Se a história colonial, as influências e traumas da colonização francesa marcaram a Argélia profundamente, é, contudo,  nos meandros do imaginário das escritoras  argelinas - e apenas nele -, que sua essência encontra um lugar privilegiado de realização. A marca feminina da literatura argelina que Assia Djebar instaura, entre outras que saudamos neste espaço,  é acompanhada de um entendimento do humano que se expressa sob a forma de uma violência veloutée, um percurso inclemente pela memória do país e da infância carregado de uma sensibilidade que privilegia a aventura feminina, estratégica e finamente arquitetada nas ondas sutis de uma imaginação liberta.
Assia Djebar é a primeira mulher magrebina a pertencer à Academia Francesa. É laureada com os seguintes prêmios:
Veja o vídeo sobre o romance La femme sans sepulture : http://www.ina.fr/art-et-culture/litterature/video/2289468001/assia-djebar-la-femme-sans-sepulture.fr.html

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Abdellatif Laâbi



O escritor do momento, o marroquino Abdellatif Laâbi.




" La poésie est tout ce qui reste à l'homme pour proclamer sa dignité, ne pas sombrer dans le nombre, pour que son souffle reste à jamais imprimé et attesté dans le cri. »


Se o poeta é aquele que escreve para poder respirar, para Laâbi a poesia é a própria anima, o próprio souffle, as próprias dádivas que advêm de todos os Souffles. Poeta da liberdade, Laâbi foi por sua militância preso e torturado. Em 1985 toma a França como exílio. Em 2009 recebe o Prix Goncourt de poésia e em 2011 o Grand Prix de la Francophonie, da Academia Francesa.

Poesia, teatro, romance, o território da obra de Laabi é vasto e a ser palmilhado com constância própria de peregrinos-leitores, fazendo as pausas próprias para a reflexão antes de se lançar em nova peregrinagem pelas páginas, pelos mundos, per agros do universo Laabiano.

O que a literatura marroquina deve a Laabi é imenso. Este autor nascido em Fez em 1942, com sua obra e principalmente por estar à frente da fundação da Revista Souffles, expandiu as fronteiras da liberdade, tanto da palavra poética, quanto da voz dos povos árabes. Assim seu site oficial se abre ao visitante:
Ici la Voix des Arabes libres. La voix de ceux, celles qui ont décidé de briser la loi du silence, combattre le mensonge, redonner la voix aux sans-voix, faire entendre le cri des suppliciés, rejeter les chaînes de la soumission, dénoncer les grandes et petites lâchetés, mettre à nu les mécanismes de la corruption et du pillage, lever le voile sur les misères matérielles et morales, bref, s'insurger contre la fatalité et libérer le cours de l'espoir.

 
Souffles, la revue: nascida em 1966 no Marrocos, do encontro de alguns poetas que sentiam a necessidade urgente de uma tribuna e de uma renovação poéticas. Proibida em 1972, ela desaparece da cena literária e hoje graças ao trabalho de Thomas Spear e Anne Georges a Revista Souffles está à disposição do público e pode ser consultada on-line nos links: http://bnm.bnrm.ma:86/ListeVol.aspx?IDC=3   e   http://bnm.bnrm.ma:86/ListeVol.aspx?IDC=4 

Veja o Vídeo :. http://www.youtube.com/watch?v=AddWZTjLyLU&feature=related
Site oficial de Abdellatif Laâbi: http://www.laabi.net/
Outros links interessantes sobre o autor : http://www.bibliomonde.com/auteur/abdellatif-laabi-88.html

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Hamid Grine

Nosso autor do momento, o argelino Hamid Grine.



Camus dans le narguilé , um romance surpreendente!


Nem sempre grandes e premiados autores nasceram e cresceram envoltos em fabulosas bibliotecas. Isso é um mito e Hamid Grine um exemplo. Conhecido por seu estilo minimalista, e fazendo parte dos escritores mais lidos da moderna Argélia, Grine vem do jornalismo esportivo, onde publicou sete livros sobre esporte e a famosa biografia : "Lakhdar Belloumi, un footballeur algérien". Dono de diversos prêmios como La plume d'or, do jornalismo esportivo, Prix Coup de Coeur do jornal Djazair News, em 2004 pelo romance "Comme des ombres furtives" e uma premiação dos editores magrebinos pelo conjunto da obra.  Um de seus romances "La nuit du henné" está sendo adaptado para o cinema.

Porém a surpresa maior deste instigante autor é o romance Camus dans le narguilé. Um romance estonteante que aborda de maneira muito original a relação ultra complexa entre Albert Camus e a Argélia,  colocando-o em paralelo com uma trama em que o personagem principal está em busca de um pai inacessível e de uma reconciliação póstuma entre eles.  Quem já se deleitou com L'Etranger et La peste, vai se  sentir fundamentalmente tocado por este drama em que Camus de autor, passa a personagem de um embrolio freudiano. Ali se atraem e se repudiam  o ajuste de contas entre fílho e pai e a possível e inominável possibilidade de extermínio paterno.

Dentro da complexa e patriarcal sociedade argelina, Camus dans le narguilé é uma homenagem aos iconoclastas da geração de 1950 e um reenvio à plenitude simbólica de Oedipe-Roi e Hamlet. Prestar atenção às ambiguidades das palavras, das imagens e das situações narrativas do texto de Grine permitir-se-á que os traços de uma articulação do inconsciente sejam recuperados. Muito instigante. Desafiador!


Nossa saudação a Hamid Grine! No mínimo, surpreendente...
Siga entrevista com o autor em  http://www.lexpressiondz.com/culture/148057-hamid-grine-cartonne-a-la-fnac.html



sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Leila Sebbar

Nossa escritora do momento a romancista franco-argelina Leila Sebbar.


Leïla SEBBAR nasceu em Aflou (departamento de Oran) de pai argelino e mãe francesa, ambos professores. A obra de Leila, vasta e pluriforme, se debruça sobre as questões do universo da mulher, em denúncia, em reflexões, em exercício constante sobre a sua posição no mundo argelino, esmiuçando seja a infância, seja a maturidade feminina. Mas não busquemos doçuras na obra de Leila Sebbar: ela prefere explorar os recônditos e obscuros territórios "... où s’invente un monde qui mêle l’intime et le politique, l’intime et le poétique, où s’exerce un regard qui rend visible l’invisible d’un réel déplacé, complexe, souvent violent."

Os relatos de viagem de Leila Sebbar me remetem a Isabelle Eberhardt (1877-1904) e o trecho que aqui publicamos é na intenção destas duas mulheres viajantes do mundo argelino, tanto em peregrinagem pelas vastas estepes quanto pelo imaginário profundo. A aquarela de Leila Sebbar sabe ser de um cromatismo ao mesmo tempo cru e terno, multifocal e verdadeiro.

Nossa saudação à Leila Sebbar e aos leitores desta página, desejando-lhes bons momentos e novas descobertas nos links e  vídeos que se seguem.